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sábado, 21 de julho de 2012

Solidão

A solidão é tão feliz comigo!
Ah, como é bom sentir-se você, só você.
A solidão, já dizia o poeta, consegue que eu não seja triste.
A alegria te procura, as cores são só pra você.
São as notas musicais e você, o ar e você, o sol e você, a poesia e você.
A dor vem só para você, mas a cura, como uma fênix, ressurge também só para você.
Eu gosto de ser só, gosto do gosto que tem ser só, gosto do cheiro da solidão e do seu silêncio. Gosto da ausência de gente, mas não da ausência de vida. A vida pulsa, a vida explode na solidão.
A solidão faz a alma da gente cavalgar livre num pasto de noite com lua cheia. A solidão faz o abismo dentro da gente ecoar no universo, ah, o abismo dentro de mim tem o som do universo.
O vazio de ser só, é um vazio preenchido de magia, de flores de cristal. No meu vazio, sinto aroma de lavanda. O meu vazio se transborda, esparrama mel e jorra gotas de luz!

terça-feira, 8 de março de 2011

Um mundo oco, vazio,
um mundo sombrio;
Falta carinho, gentileza,
falta delicadeza.

Há muita escuridão, maldade,
há somente a individualidade;
A esperança se esvai,
e a alma pequena no abismo cai.

Cores, amores, doces sabores,
dia ensolarado, chuva fininha,
canto de passarinho,
Ficam apenas na torpe lembrança.

O cinza e a fumaça,
no lugar do puro azul;
O sussurro de féu,
no lugar do beijo de mel .

E assim, a vida se evapora pelos poros
de um planeta doente e carente.




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O mundo onomatopéico

Oi, bom dia!
silêncio...
Por favor, 9º andar.
silêncio...
Obrigado!
silêncio...
Bom dia!
tec tec tec tec tec tec tec
O azul do céu está especialmente bonito hoje, você não notou?
tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec
tec tec tec tsic tsic poft tec tec tec tec tec tec tec tec tec
tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec
Vamos almoçar?
suspiro...
Aceita um suco?
trinc plaft glupt arght
Oi, boa tarde!
silêncio...
Por favor, 9º andar.
silêncio...
tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec
tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec
tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec
fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu tec tec tec tec
tec tec tec tsic tsic poft tec tec tec tec tec tec
tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec tec
tec tec fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
tsic tsic tec tec tec tec tec tec
tec tec tec tec tec tec
Até amanhã!
silêncio...
Lua cheia! Vou comprar gérberas para o meu amor...
Boa noite, amor!
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Amor?
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
zzzzzzzzzzz

sábado, 18 de setembro de 2010

Escrever, cuspir a dor
Mas nada cessa meu dissabor
A felicidade estampada
É só fachada
É máscara pra esconder o que não tem fim
A tempestade dentro de mim

Às vezes doce, às vezes féu
Mas nada é puro mel
Revolta?
Ah! Ela sempre volta!
Existência?
Ah! Minha essência!


A dor e a delícia de ser
É fardo, é perecer!
É dia chuvoso, é estar só!
É voar em manto estelar
Para um dia ver o céu clarear!


E no horizonte haverá rima para o sol?



sábado, 4 de setembro de 2010

Aos leitores

Que tipo de leitor leria o que escrevo?
Não sei e não me importa saber!
O que me importa é escrever quando tiver vontade. Escrevo quando meu coração grita o já conhecido grito abafado.
Leitores talvez busquem uma leitura que lhes agrade, e eu, eu não quero escrever o que agrada! Quero escrever o que incomoda, o que não é falado para leitor rir e achar o texto 'engraçadinho'.
Quero cuspir o que está preso em minha garganta ressecada, sem a mínima  preocupação da norma culta, muito menos da crítica.
Quero escrever a lama e fazer ir pelos ares o lamento do poeta "o beijo, amigo, é a véspera do escarro".
O tempo agora é de ser resto, de ebulir o excremento e gargalhar.
Portanto, leitores, hipocritamente, ergam suas taças de vômitos e comemorem mais um best seller do fulano de tal!

Defesa do nome



Tribek daria uma boa crônica e para defendê-lo seria preciso contar a história dos três "beks" da Polônia, e dos vários Tes, e do casal hippie, e do Tati, e do Ana, mas reflito:
Para que e por que defender o meu nome?
Minha angústia feroz não tem nome.
Sou, sou...mas sou um ausente de mim.
Deixei-me no mundo e nem ao certo sei se existe ainda algo a deixar de mim.

quinta-feira, 29 de julho de 2010


Deparo-me com o límpido branco da folha.

Folha leve, folha solta ao vento esperando o tingir escarlate.

Serena e desafiadora, aguarda meu lento jorrar de estrelas.

Mas como é difícil o nascer das palavras,

e como é sofrido dar cor amarga ao alvo da pureza.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Uma madrugada do planeta Terra que atende pelo número 13, pelo nome junho, e por outro número chamado 2010, mas nada disso é relevante, a não ser a madrugada gelada.

O antídoto-veneno faz meus pensamentos não pararem, eles vêm, vêm e vêm carregando consigo um turbilhão de sensações e emoções, que já são velhas conhecidas. E nessa escuridão o seu tom amargo é potencializado causando um efeito desastroso.

Penso que além de ser imperfeita e carregar dentro de mim a tempestade devo ter uma alma pequena, tão pequenina que tive que existir nesse planeta que chora, nesse mundo de dissabores, de crianças que morrem de fome enquanto há seres vomitando caviar.

Nesse mundo no qual as criaturas mais belas, selvagens e livres são postas em cubículos para atração de seres fantasmagóricos. Um mundo de ilusões baratas e de solidão. Um mundo de seres que neste momento suspiram minguantes nas ruas imundas e frias.

Sinto por vezes uma semelhança assustadora com as estrelas, que sozinhas, pairam na mais profunda escuridão iluminando alguns, e, sendo por muitos, despercebida. A despercebição alheia não é o que me causa incômodo, mas sim, o ser despercebida por mim. Não me encontrar nesse planeta hinóspito e nem em mim mesma me faz estar sempre com os pés à beira do abismo, sentindo a brisa suave, triste e acolhedora.
Para fazer pior a passagem por aqui, há o tempo, o tempo lento, tortuoso, dilacerante, que jorra farpas de milésimos de segundos, que é medido por ponteiros ponteagudos acompanhados de som definhador de esperança: tec...tec...tec...Ele aponta audaciosamente em sua íris:
- Quantos iguais à você?
- Quantos a sentir o que sentes?
- Nenhum! Estás nessa vastidão só, e vês lentamente tudo a sua volta desfazer: o tempo, as árvores, a água, o ar, menos a dor, menos a dor.
E eu, encostada nos braços da noite, sofro por nem mais meu corpo querer descansar para só aumentar o meu pesar.
03h45, outro número, mas não irrelevante, posto que marca o fim de uma dor e o início de outra, já que nem mais as palvras eu tenho.

sábado, 17 de abril de 2010


Em meus devaneios por vezes imagino tudo fazendo parte de um todo, o universo em desarmonia, mas dentro de um mesmo propósito. No entanto, a realidade que cismamente aparece em flashes, insiste em mostrar-me fragmentações de uma grande máquina em desajuste com peças fora do lugar, todas espalhadas e desconectas.
Do negro infinito, a vista é de uma imensidão azul, tão silenciosa e fresca e mágica...triste pena ocultar tantos mistérios por debaixo do seu manto de nuvens. Tantos pequeninos a vagar solitários em busca da própria alma. A efêmera luz que se enxerga são os pingos estelares que funcionam como vagalumes faiscantes em uma noite de verão.
Que lugar é esse que tem a capacidade de transformar seres cada vez menos “SERES”?
Ou será:
Que seres são esses que transformam esse lugar em cavernas abismais?
O que sei, é que de tão leve peso muito, e minha essência perfumada de cristais coloridos já não suporta mais essa densa camada de nódoa debaixo dos meus pés. O licor de vaidade que escorre das paredes de concreto retorce flores e campos, trovoando meu coração numa triste canção.

"Que esta minha paz e este meu amado silêncio não iludam a ninguém. Em mim, na minha alma, sinto que vou ter um terremoto."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Chegou aquele não esperado clarear do dia em que procuro por seu olhar e não o encontro mais.
Você descansa no céu, em uma nuvem perfumada ou talvez em qualquer outra rota estelar.
Durmo sabendo que você não vai voltar, a madrugada vazia, oca, faz aumentar ainda mais a sua ausência.

Mas haverá um dia que me encontrarei com você e faremos tanta festa, tanta ternura e brincadeiras que rolaremos pela grama macia até ficarmos exaustas. Juntas, adormeceremos no jardim colorido, apreciando o doce crepúsculo ao som das harpas angelicais.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Suspiro perfumado

Ah! Como é bom poder sentir o aroma da verbena, e, como é doce o cheiro da noite que tem lua.

Palavras


Palavras soltas, são todas palavras soltas, palavras jogadas ao vento.
Por que escrever sobre o ar? Se o que eu respiro é a ausência de ar?
Por que escrever sobre o sol? Se nem a lua me é fiel.
Ah! Transpiro minguante nos braços da noite fria.
Palavras embebidas em lágrimas, palavras soltas.
Por que e para que escrever? Se a vida é timidamente cinza e a solidão sorri a escuridão.
Ah! Palavras pesadas, não as solto limpidamente ao vento, lhes dou cor amarga e cuspo-as na ventania.
E eu, transbordada de mim, jogo-me em ti, palavras!

Meus olhos chorosos sentem falta da montanha,
e meus cabelos podados, da bagunça do ar.
Minha boca sedenta pede a água cristalina e gelada da Eubiose,
e meus pés ressecados e doloridos, o chão acolhedor e úmido da caverna.
E minha alma, ah! minha alma silenciosamente triste,
clama pela negra solidão no útero da mãe Terra.
Solidão que transborda o ser de nudez,
onde se ouve a mudez
e a respiração do mundo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Haverá o clarear de um dia em que procurarei por seu olhar e não o encontrarei mais.
Você descansará no céu, em uma nuvem perfumada ou em qualquer outra rota estelar.
Dormirei sabendo que você não vai voltar, mas, na dança do tempo, na roda da sansara, me encontrarei com você e faremos tanta festa, tanta ternura e brincadeiras que rolaremos pela grama macia até ficarmos exaustas.
Juntas, adormeceremos no jardim colorido, apreciando o doce crepúsculo ao som das harpas angelicais.
Dedicado às companheirinhas felinas de tantos anos: Brida, Shariel, Loquinha, e, especialmente à Julie.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Minha tristeza


Meu reflexo não consigo ver na água,
nem fazer poemas sem nenhuma dor,
nem ouvir o eco dos meus passos.

As flores começam a florescer,
os pássaros a cantar,
as pessoas a sorrirem o início da primavera,
no entanto, o sol não consegue aquecer minhas mãos geladas do frio que me empalidece.

Meus olhos brilham como a luz da lua
e meu coração chora como as gotas de orvalho que caem das plantas ao amanhecer.
Borboletas pairam sobre meus ombros e sobem tão alto,
tão distantes quanto meus sonhos, que perdidos se encontram no céu cor de rosa.
Os anjos rondam ao meu redor, mas não consigo ouvir suas harpas e nem tocar suas asas.

A chuva cai de mansinho, mas a chama continua no ar,
queimando as velhas feridas, fazendo escorrer o féu amargo do mel cristalino.
Não quero pensar em tudo que sonhei.
e ninguém verá os sonhos que sonhei.
talvez um sorriso pintado pelo sol.

Quero voar, ver o céu azul em minhas asas
Quero voar e ver tudo de cima
Quero voar solta e livre pelo universo, pelas galáxias
Quero tocar as esferas coloridas
Quero adentrar os mundos encantados e sorrir a aurora dourada
Flutuar no prateado cintilante e quase...uma estrela brilhante
Quero deitar numa nuvem macia e perfumada, e assim,
adormecer o sono dos anjos.

A luz

Não quero que ninguém me veja,
Quero passar despercebida na multidão
Não quero que vejam meu coração e tão pouco minha emoção
Não quero que ninguém sinta meu calor e veja meu sorriso
Não quero que me conheçam tão pouco que me descubram
Não quero que me toquem, nem que me sintam
Quero passar despercebida na multidão
Não quero que ouçam minha voz e nem o eco dos meus passos
Não quero que corram ao meu lado no campo florido, nem no vale sombrio da escuridão
Não quero mostrar minhas lágrimas salgadas , muito menos as doces
Não quero que me vejam brincando no parque, nem fazendo arte
E jamais, jamais quero que leiam minhas dores, meus dissabores e minhas alegrias
Quero passar despercebida na multidão e que olhem apenas a luz!

Gaiolas!

Não quero mais correntes e selas
Não quero mais gaiolas brancas com suas portas e janelas escuras
Gaiolas cheias de máquinas,
gaiolas idiotas com seus fúteis atrativos.
Gaiolas gritantes,
com sons estranhos e imagens berrantes.
Semelhança errante,
confortavelmente anestesiada em sua decadência.
Dilacerando pouco a pouco a vida
e criando mais, mais e mais gaiolas!

Eu, minha querida escuridão

Ela gosta da minha dor
Do meu sofrimento, da minha angústia
Do lado escuro, do lado mais escuro da noite
Das sombras geladas
Choro sozinha e ela gosta de minhas lágrimas salgadas e do meu grito sufocado
Ela gosta do frio de meu coração e do barro em minhas mãos
Da tempestade que me assola e dos raios que me paralisam
Dos meus olhos tristes e brilhantes
Ela é o que sou...
...a minha querida escuridão!

Carta para o não amor

Meu amor, já não sei se assim posso lhe chamar, porém, amor, eu sei que posso.
Amor, nessa manhã de céu azul os raios do sol preenchem meu ser e tão confusa estou. Não sei se quero você, mas sei que sinto sua falta agora, só agora. Não é uma falta de você, mas sim, a falta de um você que só existiu em meus sonhos e que amei profundamente.
Um você que me deixava sozinha comigo mesma na mais perfeita liberdade para poder te amar me amando.
Um você não com maturidade para me compreender, pois nem eu me compreendo, mas um você com maturidade de me aceitar com todas as minhas imperfeições.
O você era cheio de luz, alegria. O você era cheio de carinho na medida certa.
Esse você me deixava transbordada em êxtase, esparramada em mim, solta, muito solta.
Sinto a ausência desse você, um você criado por mim para saciar a minha mais profunda sede de amor.
Agora, agora não sinto mais sua falta, você é um você invisível aos meus olhos e ao meu coração. E sofro, e choro, e sinto o amargo gosto do féu, que também é mel posto que me tenho só para mim e me esparramo sem me transbordar.

Retorno

Depois de um longo tempo, agora, despeço-me das trevas e volto a brilhar ofuscante e solitária.
Volto a me encontrar comigo, e mais ainda, com minha essência perfumada.
Querida escuridão, penosamente, agora é hora de deixar-te e renascer.
Vento, como um pássaro que retorna a voar, deixe a brisa me embriagar nos dourados raios do sol.
O tempo agora é de sorrir a aurora colorida e berrar com toda a força de meu peito o meu grito contido de mel.
Luz, minha querida luz, delirante me entrego em seus braços com minha alma liberta, leve e sedenta de querer.

O vôo

Naquela tarde chovia muito,
e o coração de Sol estava encharcado.
O som dos trovões ecoavam assombrosamente,
tal como, seus mórbidos pensamentos em sua turva mente.
Os raios partiam o vazio de sua alma
fazendo escorrer o doce féu de seu pálido sorriso.
A chuva misturava-se com as solitárias lágrimas
que caiam de seus pequeninos e tristes olhos.
Naquele nostálgico momento Sol não tinha nada além,
que sua fiel escudeira escuridão.
O melancólico pulsar de suas veias assustaram-na,
sentira suavemente que ainda tinha um suspiro de vida em seu corpo.
Mansamente, a meiga Sol começa a balançar
seus pés à beira do precipício.
Por um breve momento sente-se livre,
e delicadamente, como num ato de redenção,
Sol abre suas asas e voa por entre a tempestade.

Crise renal

Uro, ufo?
Pedras, cristais.
Dor, ardor?
Que nada!
Cor, disco voador!

Mar

Oh, mar!
Exaltado pelos maiores poetas
Oh, mar!
De Camões, de Pessoa e de tantos.
Frente a frente com sua magnitude não consigo ao menos descrevê-lo
Essa imensidão de água e de mistérios faz calar uma vastidão de palavras
Estranhamente, olhando a ti sinto-me tão livre e tão presa, tão cheia e tão vazia.
Sua instabilidade é também a minha, no entanto, a minha não será jamais a sua, oh soberania!
A maré vai subindo e esse poema vai sumindo sem começar
.

Momentos


E se eu não estivesse aqui?
Estaria no cruzeiro com o irmão vento a cortar o rosto, esperando o dourado por do sol.

E se eu não estivesse aqui?
Estaria caminhando por ruas de pedras embriagadas de incenso, cantarolando mantras.

E se eu não estivesse aqui?
Estaria com a barriga doendo de tanto rir, e calmamente, aguardando o manto estelar me cobrir.

E se eu não estivesse aqui?
Estaria sentada no Massaroca, quentinha e satisfeita, aguardando um novo e mágico dia começar.

Sinto falta do calor aconchegante do lar,
dos miados contentes,
do cheiro de mato molhado,
do céu límpido estrelado

Sinto falta da água que aquece,
do banho perfumado,
do sabor de mãe que nunca passa,
da cama macia que abraça.

Sinto falta dos vidros embaçados,
do vento soprando forte lá fora,
das conversas despojadas,
das risadas debochadas.

Sinto falta do meu ninho quentinho
e do cabelo amarelinho!

Não quero título

Estou cansada de mim, sou um fardo para mim mesma!
E todo o resto do mundo é um fardo para mim também!
Queria o silêncio oco, vazio! Queria o nada!
Queria a ausência!
A ausência de alegria, de dor,
de euforia, de gente, de coisa,
de ter de fazer, de correr,
menos a ausência de calar! Menos a ausência de calar!
Calar...queria um calar eterno das máquinas,
dos metais, da tecnologia,
dos comprimidos,
dos arranha-céus,
dos elevadores,
da fumaça.
Mas que não se calem o vento e os pássaros!

Obrigação

Escrever talvez seja uma urgência, mas não escravizo minhas palavras à pretensão da obrigação. Só quero escrever quando tiver vontade!!!
Não quero me sentir obrigada à nada, muito menos a escrever!
Escrevo quando quero, e quando não quero, não escrevo.
Escrevo quando meu coração grita o já conhecido grito abafado, quando sinto sufocar dentro de mim.
Escrevo para a essência tomar forma, a forma da dor, do dissabor, do suplício.

E eu?

Eu estou demais para mim!
Estou cansada!
Estou enjoada!
Estou com a dor do mundo e estou com a minha própria dor!
Estou, estou...na verdade estou, mas é um estar ausente de mim.
Deixei-me no mundo, mas não sei que mundo, existe um mundo? Existe ainda algo a deixar de mim?
Estou em mim? Ou estou perdida de mim?
Se estou demais para mim é bom estar perdida de mim mesma, não me encontrando, não seria mais um fardo, mas como posso estar perdida de mim se ainda me sinto, e sinto que estou pesada demais?
Quero me deixar, mas nem ao menos me encontro. E se me encontro não sei aonde estou.
O que sei é que de tão leve peso muito.
Talvez se estivesse dentro da caverna, com toda escuridão, quem sabe assim eu me reconheceria, ou sentiria saudade de estar comigo, ou quem sabe eu conseguisse me resgatar de mim mesma?


Os pensadores dizem que questionar faz parte da evolução do Ser humano, não sei! Pois não sei se tenho ainda forças para questionar, ou, pensar em questionar. Só sei que escrevo, e também não sei se é bom, pois não sei se escrevo.
O que sei, é que sinto por vezes o mundo transbordar em mim, sinto-me transbordada até de mim mesma e chego a ficar ausente, ausente...
Não quero o mundo gritando em meus frágeis ouvidos, não quero sentir o cheiro de fumaça, de ferro.
Talvez eu queira só o leve sussurrar do vento nas folhas.
Talvez eu queira sentir por instantes o sol.
Talvez eu queira algo que ainda não conheça, a liberdade das aves de rapina ou a correnteza do rio em um dia de primavera.
Talvez, um dia talvez, eu queira ser somente essência e transbordar em poesia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Das estrelas

Escuto minha respiração profundamente.
Escuto o vento lentamente.
Não vejo a lua. Sinto a noite.
Desfolho-me com a brisa suave.
Chão de cristais recebem minhas pétalas.
Não sei minha origem,
sei que não me encontro nesse mundo
que falta aroma de lavanda e o som das harpas encantadas.
Aqui, falta a suavidade de um leve amanhecer dourado,
falta o gosto do mel,
falta o burbulhinho dos silfos,
falta o calor das salamandras.
Aqui, a vida desfaz e sorri minguante.